Tempo e fotografia

Acho mágico toda vez que o laboratório me envia o link para baixar as fotos digitalizadas do filme que enviei para revelar.

É surpreendente porque um mesmo filme pode reunir tempos muito distintos, é como se as fotos de filme pudessem retorcer tempo, e fazer ele passar de outra forma, reunindo coisas que não aconteceram juntas, mas que pela contingência de terem sido fotografadas num mesmo filme se agrupam. Talvez o tempo do filme seja menos sequencial e instantâneo como são as fotos de celular.

Com o filme há um tempo que é necessário aguardar, é preciso saber esperar. 

Esse filme aqui por exemplo, desde o primeiro clique até ele terminar e ser revelado levou mais de um ano. Ser surpreendida por momentos que escolhi registrar tanto tempo atrás me encanta.

Essa demora no tempo que só o filme proporciona é muito gostosa. Pelo contrário do que alguns podem imaginar não fico ansiosa para “revelar logo as fotos e ver como ficaram”, sei que o tempo de “revelação” chegará, pode ser que demore, porque às vezes um filme pode durar bastante tempo, mas o tempo de ver as fotos chegará.

Acho que o filme nos proporciona lidar com os tempos das coisas, sair da rapidez, da pressa e da velocidade, saber esperar, mas também saber a hora de apostar. Tirar uma foto de filme exige um pouco mais de cálculo que as fotos digitais, que é só bater muitas fotos e escolher uma boa. No filme essa lógica não funciona, porque a quantidade de cliques é limitada, 36 cliques na melhor das hipóteses, quando o filme foi recém colocado na câmera. 

Fotografar com filme e a psicanálise proporcionam alguma modificação na relação com o tempo, por isso me interesso tanto por ambos. Quem sabe fique como um projeto para um tempo futuro juntar essas duas coisas que mobilizam tanto o meu desejo. 

O analista e o algoritmo

Outro dia escrevi um pouco sobre como uma análise não é instagramável, pois as coisas que extraímos de uma análise são tão singulares, que talvez elas não entrem nessa lógica do compartilhamento das redes sociais. 

De uns tempos para cá venho pensando a partir do outro lado. E o trabalho do analista, é instagramável? 

A era das redes sociais é também o tempo onde tudo entra para a lógica da propaganda, do marketing digital. 

Uma rede social é um grande catálogo, onde cada um quer vender seu peixe, inclusive o peixe de alguns é ensinar os outros a venderem seus peixes. Vivo recebendo patrocinados de psicólogos vendendo cursos que ensinam outros psicólogos a “lotar a agenda”.

Me questiono que se de fato essas pessoas estivessem com a tal “agenda lotada” não precisariam vender cursos no Instagram, estariam tranquilas em seus consultórios atendendo. 

Navegamos por um oceano poluído por propagandas, posts patrocinados e conteúdos duvidosos. 

Mas e o trabalho de um analista, é possível vendê-lo no Instagram? 

Possível é sim, mas talvez não seja interessante.  

Não é por ter visto um psicanalista na aba explorar que alguém deseja fazer análise. As pessoas procuram uma análise porque tem questões, sofrimentos, dificuldades. Elas falam dessas questões a alguém, pedem uma indicação de analista, buscam alguém que possa escutá-las.

Acredito que o trabalho do analista circula pela via das indicações, mas de uma pessoa para outra, e não nas indicações das redes sociais.  

A minha aposta é nas pessoas e não no algoritmo.

A lógica de uma análise é inversa a lógica do algoritmo. O algoritmo entrega o que ele julga que vai capturar a atenção do sujeito, o algoritmo trabalha pelo sujeito, por isso muitas pessoas passam horas mortificadas nos feeds infinitos. 

Uma análise coloca o sujeito a trabalhar, o analisante precisa falar, associar, vir para a sessão, o analisante trabalha por sua análise, o oposto do sujeito passivo ao algoritmo. 

Em algum momento até cogitei fazer um perfil profissional, afinal eu gosto de escrever, inclusive já tinha vários textinhos sobre psicanálise, o trabalho seria de apenas transferir de um perfil para o outro. Mas só de pensar em ter que alimentar mais um monstrinho no Instagram eu desisti. 

Mas decidi que ao invés de fazer um perfil profissional iria fazer um blog, juntar os textos que já tinha e também deixar meu contato. Para encontrar um blog é preciso dar-se ao trabalho de procurá-lo, acho que esse caminho pode ser interessante para quem busca uma analista. 

Escrevo porque desejo, e quero seguir escrevendo porque desejo, e não para responder a uma demanda de criar conteúdo para um perfil profissional. 

Por isso acho muito complicado os analistas entrarem nessa lógica do algoritmo, uma vez que nosso trabalho opera por outra via, a via do desejo, e pelo que tenho visto o algoritmo sufoca o desejo, mas isso já é assunto para outro dia. 

Qual o seu desejo?

Qual o seu desejo?

Definir o abdômen?

Usar a roupa que quiser?

Ser você?

A experiência de habitar um corpo é inquietante, e cada um constroi essa experiência da sua maneira. Por isso para a psicanálise as questões do corpo não são fúteis, pelo contrário, são fundamentais. 

Há muito tempo os seres humanos realizam intervenções no próprio corpo. Tatuagens, cicatrizes, perfurações, e outras formas de marcar o corpo, eram recursos utilizados para construir uma borda nessa pilha de carne, ossos e vísceras que somos. Os procedimentos no corpo não são uma novidade. 

Mas o mundo mudou, as tecnologias avançaram, a indústria da beleza criou inúmeros procedimentos estéticos, com a promessa de que enfim poderemos ter o corpo desejado. 

Finalmente o nosso corpo poderá se tornar um outro corpo, o corpo ideal.

Bocas, narizes, sobrancelhas, barrigas, bundas, rostos, pele, tudo reconstruído pelas mãos de especialistas. Profissionais capazes de nos tornar o que queremos ser. Basta pagar. O trabalho deles é lidar com aquilo que é difícil para nós, o nosso corpo.

A indústria da beleza massifica essa experiência com o corpo, e aquilo que era o mais singular de cada um, o corpo próprio, parece estar se dissolvendo. Tá todo mundo querendo ficar meio igual. 

Fico com a impressão que a diferença entre os procedimentos antigos e os atuais é que aqueles marcavam uma singularidade, enquanto esses da contemporaneidade visam a busca por um ideal. 

Sabemos o quanto ficar correndo atrás de um ideal é uma tarefa inglória, ainda mais numa esfera tão viva quanto um corpo. Num corpo sempre há algo que escapa das palavras, das imagens, das ideias. 

Qual o seu desejo? 

Essa é a primeira pergunta que aparece no anúncio da clínica de cirurgia plástica.

Essa é uma pergunta muito importante, e difícil de ser respondida, pois nela há uma dimensão inconsciente. A gente não deseja só o que a gente imagina que deseja, desejamos coisas que nem sabemos que desejamos. Além disso, o desejo também muda, ele não é uma coisa fixa, que você só tem um e quando o alcança pronto, não deseja mais nada. 

O desejo é mais como um caminho, e não o ponto de chegada, ou talvez o desejo seja a própria caminhada, aquilo que nos move e faz seguir andando. 

Justamente pela errância do desejo é complicado responder sobre ele assim tão diretamente como a clínica sugere. Um abdômen definido, um colo mais marcado, usar a roupa que quiser. 

Não estou advogando que as pessoas devam parar de fazer cirurgias plásticas, pelo contrário, a indústria da beleza está aí, e as pessoas continuarão a fazer seus procedimentos. Às vezes esses procedimentos podem ser muito importantes inclusive para a dimensão subjetiva, não se trata somente de uma questão estética. 

Mas como psicanalista a pergunta que acho que deveríamos fazer é: de onde vem o seu desejo? 

Perguntar de onde mostra que no desejo há uma história, há um passado, coisas que marcaram a forma singular de cada um desejar. 

Perguntar-se de onde vem o desejo, para seguirmos mais advertidos do que diz respeito a nossa singularidade, até mesmo quando aparentemente tá todo mundo ficando cada vez mais igual. 

Quando as questões do corpo estiverem muito complicadas, talvez seja o momento de procurar o consultório de um analista e não um cirurgião plástico. 

Uma análise não é instagramavel

Antes a gente navegava na internet, ficávamos meio à deriva, indo para onde os ventos da nossa curiosidade e interesse nos levassem. 

Navegar é preciso, mas não é mais possível, pelo menos não nas redes sociais. 

Depois do advento do algoritmo não existe barco à deriva na internet, tudo o que já despertou nosso interesse deixa um rastro, e é esse rastro que o algoritmo segue, de forma que mais do mesmo vai brotar eternamente em sua tela. 

Um dia eu cliquei num conteúdo patrocinado de uma psicóloga que prometia soluções para quem vive com TDAH, desse anúncio veio um outro de alguém que dizia “trazer sua autoestima de volta”, e desse veio outro direcionado para mulheres que viveram “relacionamentos tóxicos”. 

Todos esses conteúdos patrocinados prometem resultados genéricos para sofrimentos que são particulares, como se viver com um diagnóstico X fosse igual para todos os sujeitos que sofrem de X. 

As promessas de cura para a vida pipocam como uma praga no meu celular. Mas a vida não tem cura, a gente aprende a fazer alguma coisa disso tudo que é viver. Não tem cura mas tem tratamento, o que é bem diferente. Uma análise é uma forma de tratamento. 

Uma análise não é instagramável porque na análise não temos 10 passos ou fórmulas prontas, o analista não tem as respostas, mas ele deve fazer o convite para que o analisante formule as perguntas, e no percurso de uma análise alguns esboços de respostas vão surgir. 

Uma análise não é instagramável porque aquilo que extraímos da análise, e que nos serve de tratamento, é tão singular que talvez não seja possível o compartilhamento. 

O enigma do que se passa em uma análise é aquela viagem incrível que você faz sem tirar fotos. Você não tem imagens para compartilhar, e também não consegue muito bem encontrar as palavras para explicar o que lá se passou, mas você carrega os efeitos de ter feito a viagem. 

Sobre corrida e pira

Fazia tempo que não ia caminhar na Beira-mar, fui no sábado de manhã e fiquei chocada!

De cada 10 pessoas que passavam por mim 8 estavam correndo.

Passavam rápido com suas camisetas de equipes de corridas, olhando com frequência seus relógios, que transformam cada passada em números, e quando finalmente as pernas param de correr, o equipamento diz se foi ou não uma boa corrida. Você pode comparar com seu desempenho anterior e quem sabe melhorar sua performance. Competir com você mesmo, olha que relaxante! 

Você pode também comprar fotos suas correndo, tem um fotógrafo que fica ali na beira da pista, capturando imagens dos corredores e vendendo para quem quiser publicar na rede social. 

Fiquei pensando que talvez um tempo atrás não tivesse tanta gente correndo porque não tinha onde publicar que você corria.  

Onde estão os idosos fazendo suas caminhadas? 

Onde estão os casais que caminham de mãos dadas?

Onde estão as pessoas passeando com os cachorros e carrinhos de bebês?

Onde estão as pessoas com fones de ouvido caminhando para contemplar a paisagem? 

Não sei se é sempre essa correria na Beira-mar, se tem alguma competição em breve, ou se fui desavisada no horário dos corredores. Só sei que se um dia achei que correr poderia ser um hobbie legal sábado eu desisti antes mesmo de começar. 

Não quero um hobbie que possa vir acompanhado da palavra desempenho. Achei muito sintomático que na sociedade da alta performance a diversão das pessoas seja correr, medir e melhorar. O trabalho já funciona nessa lógica, porque eu iria escolher me divertir com algo que parece trabalho? 

Eu me divirto lendo histórias, fui para a Beira-mar para ler e pegar um pouco de sol, mas às vezes eu também me divirto criando versões fantasiosas do que estou vendo. Gosto de observar as pessoas e quase sempre desejo saber mais sobre elas, por que tanto correm? 

Admito que eu também me divirto com algo que pode se parecer um pouco com o meu trabalho. Comecei esse texto pensando sobre como as diversões foram capturadas pela lógica do desempenho e no final entendi que na verdade as diversões são capturadas por aquilo que temos de mais singular, as nossas piras, e pra quem tem a pira do desempenho realmente a diversão pode passar por aí.

Vou deixar os corredores correrem em paz, enquanto fico aqui achando divertido e interessante pensar sobre isso, cada um com a sua pira. 

Tempo, exercício e rugas. 

Com os 40 se aproximando é quase inevitável não pensar sobre envelhecer. A geração de mulheres da minha idade está chegando aos 40 e assuntos um tempo atrás muito distantes, como menopausa, pais idosos e filhos adolescentes, agora estão ficando mais próximos. 

Tenho a sensação que não estamos apenas envelhecendo, estamos ficando mais velhas. Um bebê, um adolescente, um jovem de 20 anos envelhece a cada dia, mas ficar velho acho que se trata de outra coisa. 

Na cultura o velho é alguém que a ação do tempo é perceptível. O tempo passa para todos, mas nos velhos conseguimos ver o tempo agindo. Talvez quem consideramos velho seja alguém que conseguimos ver as marcas do tempo no corpo. 

Botox, preenchimento, procedimentos e mais procedimentos seriam tentativas de disfarçar a ação do tempo sobre o nosso corpo? Disfarçar que estamos ficando velhos? 

Mas tem algum problema em ficar velho? Ficar velho não é inevitável para quem vive por bastante tempo? 

Observo que agora além de tentar apagar os sinais do tempo na pele passaram para uma camada mais profunda do corpo, os músculos. 

Os imperativos sobre quem está ficando velho se atualizaram. Tenha a pele lisa, mas também tenha os músculos tonificados.

Compreendo a importância (importância talvez seja pouco) a necessidade dos músculos saudáveis para uma vida com mais qualidade na velhice. Mas às vezes fico com a impressão que todas essas recomendações, quase imposições, sobre o corpo que envelhece são uma tentativa de esconder o fato que o corpo velho muda, e ele não funcionará da mesma forma que um corpo jovem.

O ideal da jovem magra e bela já foi bastante criticado socialmente, a gente sabe que ali tem uma opressão ao corpo das mulheres disfarçado de preocupação com a saúde. 

Será que para nós mulheres de 40 (ou quase) esse ideal da velhinha com músculos fortes não é só uma atualização daquele ideal da jovem magra e bela?

Entender o que é saudável para cada uma é um processo particular, e acho que esse processo passa por tentar diferenciar o que são imperativos que vem do outro, da cultura, e o que parte de um desejo próprio.

Me parece que correr (literalmente) atrás de um corpo ideal é mais uma cilada. Se antes as palavras de ordem eram “tenha um corpo magro”, percebo que aconteceu um refinamento dessa ordem e desdobrou-se para “tenha um corpo forte, flexível e com muita mobilidade”. Se antes o inimigo era a gordura, agora é a flacidez. 

Tanto o antigo corpo magro, quanto esse novo corpo forte, flexível e que corre por muitos kilometros são ideais difíceis de atingir, ou que até são atingidos mediante muita renúncia de outros aspectos da vida, sofrimento, medicamentos e procedimentos.

Acho que envelhecer bem é envelhecer aceitando que o tempo não cessa de passar pelo nosso corpo enquanto estamos vivas, e enquanto ele passa inevitavelmente deixa marcas. 

Envelhecer bem talvez seja fazer o exercício de lidar com as marcas ao invés fazer força para tentar apagá-las. 

Óvulos, tempo, psicanálise

Óvulos, tempo, psicanálise.

Esses dias me deparei no Instagram com uma matéria sobre congelamento de óvulos, era uma entrevista com uma mulher que congelou seus óvulos, fiquei pensando num tanto de coisas sobre isso.

A primeira coisa que pensei é que essa matéria poderia ser uma grande publi disfarçada dessas clínicas que oferecem o serviço, a gente sabe como a indústria é especialista em criar necessidades para vender soluções. 

Toda a tônica da matéria era sobre “congelar o tempo” e poder escolher ser mãe quando fosse mais favorável. Para quem decidiu ser mãe mais para frente, e para quem ainda não decidiu, “Congelem!”. É claro que cada pessoa que congela seus óvulos tem seus motivos singulares, não quero aqui entrar nas questões específicas de cada caso.

O tempo passa e a única coisa que podemos fazer quanto a isso é ficar de boas com o envelhecimento, da pele, dos óvulos, do corpo. Por mais que exista no mercado diversos produtos anti-idade, sempre direcionados para as mulheres, para quem está vivo o tempo está passando, estamos ficando cada dia mais velhas. 

São criadas tantas intervenções no corpo para tentar enganar o tempo, mas o tempo é implacável, ele segue passando, e acho que passa melhor para quem faz as pazes com ele, e não para quem tenta passar a perna nele.  

Tenho a impressão que a quantidade de procedimentos ao invés de diminuir os efeitos do tempo deixa as pessoas mais frustradas, tanto é que muitas seguem tentando mais um procedimento, e mais um, e mais um, e mais um que enfim elimine os efeitos do tempo.

Todos os procedimentos possíveis não tiram do nosso corpo o tempo que passou. 

O capitalismo promete que a gente pode ser o que quiser, e que isso só depende da gente. Se você quiser ser mãe aos 50 só depende de você, congele os seus óvulos! É como se as soluções oferecidas pelo mercado tirassem da gente a necessidade de lidar com as renúncias que as escolhas implicam. É como se a gente pudesse viver sem perder nada. 

E é por isso que toda essa história de congelar óvulos me fez pensar na psicanálise e na castração. 

Perder é difícil, lidar com o que perdemos é péssimo, mas e se ao invés de fingir que é possível viver sem perder a gente tentasse criar um “saber-fazer” nosso com essa perda?

A velha psicanálise tá aí para isso, possibilitar a invenção do novo a partir do que se perdeu. 

Pode até ser que a psicanálise não rejuvenesça a pele, mas poder viver de uma maneira nova é muito melhor do que não ter rugas na pele!

Dia das mães!

Quando foi que você descobriu que sua mãe é também uma mulher?

Escutei essa frase em uma aula de psicanálise, quem é o autor? Qual o contexto da frase? Quem foi o professor que disse isso para nós?
Não lembro de nada disso, porque a frase ficou ecoando na minha cabeça e meio que me desliguei de todo o resto.

Hoje é o dia em que as pessoas exaltam o “amor incondicional” de suas mães. Querer que nossas mães nos amem incondicionalmente é muito frustrante, pois o amor incondicional é impossível.

Somos adultos galera! (por mais que alguns ainda se comportem como crianças birrentas) Nossas mãezinhas já fizeram a parte delas da maneira que foi possível, agora é com nós.

Escutamos adultos que ainda se queixam que suas mães isso, suas mães aquilo, e muitas vezes esses adultos só não assimilaram que além de suas mães elas são muitas outras coisas. (É claro que existem mães terríveis, mas não é disso que tô falando aqui)

Mães também são mulheres que desejam coisas para além da maternidade e amam uma infinidade de outras coisas, e não somente os filhos. Entender isso é fácil, mas como não se trata de “entender” o bagulho é bem mais louco e o processo é lento. Mas a psicanálise tá aí para quem quiser se aventurar…

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